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“Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias” (Martinho Lutero)



sexta-feira, 2 de maio de 2008

Um desejo




Sempre que leio o livro de Atos, vejo o mesmo sentimento permeando o meu interior.

O desejo de experimentar aquela dimensão de intimidade com o Senhor e manifestação de poder.

De andar no sobrenatural, de experimentar uma direção clara e contundente do Espírito Santo, de ser guiado momento após momento. O que tem acontecido é que ano após ano fico frustrado, pois acabo sem conseguir o meu intento e percebo que a culpa recai sobre o número de atividades, do ativismo, dos compromissos, das situações.

Quando vejo as atividades de Jesus e de seus apóstolos, percebo que eles eram tão ocupados “que não tinham tempo para comer” e mantinham esta comunhão estreita com o Pai.

Uma pergunta surge: Qual era o segredo para fazerem tudo e permanecerem com tamanha intimidade e dependência? Como conseguiam?

A pergunta é pertinente, pois não creio que as atividades irão diminuir, não creio que o Senhor queira que abandonemos o mundo e o dia a dia. Isto foi o que alguns fizeram em sua busca e alienaram-se de tudo e de todos.

Os apóstolos não se alienaram do mundo, não se separaram em um lugar ermo e solitário, pois estavam diariamente no pórtico e de casa em casa. Viviam uma vida intensa de comunhão com os irmãos e com o povo e mesmo assim mantinham sua intimidade com o Pai.

Muitos sinais e prodígios eram feitos e havia abundante graça em cada um. Sabemos que isto era assim com eles e que eles eram homens sujeitos aos mesmos sentimentos que nós e que também tinham as suas atividades como temos as nossas e mesmo assim experimentavam uma dimensão de comunhão e de manifestação que vai além do que temos experimentado.

Através dos relatos de Atos percebo que é possível ter muita atividade e mesmo assim desenvolver intimidade com Deus.

Como alcançar isto dentro de nossa realidade e contexto?

Isto é o que tenho que descobrir e experimentar.

Qual é a chave que eles tinham que temos que ter?

Como em meio ao turbilhão de demandas, serviços e atividades manter a comunhão com o Senhor intacta?

Como manter a comunhão no dia a dia?

Quero, com toda a simplicidade, sugerir algumas coisas:

1º. Tirar um tempo específico de oração e cumpri-lo acima de tudo. Se possível antes de deixar o quarto.

2º. Determinar que a cada hora irei parar qualquer atividade e irei orar. Dar o dizimo da hora para o Senhor.

3º. Tenho algo para fazer, um lugar para ir, um irmão para atender, uma situação para tratar, orar um tempo perguntando o que o Senhor quer que seja feito.

4º. Toda a situação que se apresentar diante de mim, orar antes de ter qualquer ação ou reação.

5º. Todo o dia, antes de dormir, repassar o dia diante do Senhor e ver o que ocorreu.

6º. Aproveitar para orar, cada vez, que encontrar com um irmão. Se não criarmos novos hábitos iremos, de novo, estar frustrados com a intimidade com o Senhor.

O caminho da espontaneidade passa pela autodisciplina.

E só se torna espontâneo em nós o que se torna um hábito e hábito se adquire pela repetição.

Que o Senhor nos ajude a mantermos a nossa intimidade em meio a todas as nossas atividades. Se foi possível para os apóstolos será possível para nós.

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